Deveria ser tão fácil apagar alguém da mente como é apagar dos amigos de uma rede social. Deixas de poder estar a par do que a pessoa faz, de saber com quem anda e quantas bebedeiras semanais tomam conta dela. Seria fácil se as coisas fossem assim, se fossemos fortes o suficiente para apagar o que nos faz bem. O caminho continua a ser para a frente mas a mágoa passada continua presente. Sei que o livro não acabou e muita água irá correr pelo nosso forte, isso é certo. Mais cedo, ou mais tarde; amanhã ou depois, as coisas terão outro sentido. É provável que daqui a uns tempos nos estejamos a rir do quão estúpidos fomos e do quão imaturos estamos a ser. As palavras são a maior das ironias da vida, somos capazes de dizê-las sem querer ou sem as sentirmos. A palavra ''amo-te'' nunca foi o nosso bis e, felizmente, nunca a dissemos em vão. Deixou de fazer sentido no momento em que todas as nossas conquistas remetiam a esse sentimento. Nunca foi preciso dizer para sabermos que era e é verdade. Mas essa é mais uma ironia da nossa história. Somos capazes de dizer o que não sentimos para ficarmos bem connosco próprios, para atingirmo-nos um ao outro sem que tenhamos dó. Sabemos que a magoarmos o outro, ele vai magoar-nos de volta e apesar de ser em vão, essas palavras acabam sempre por cultivar e levar-nos ao esquecimento. Esquecer é uma palavra muito forte quando o que vivemos é ainda mais do que isso. Nunca se esquece o amor que se vive, seja ele o mais doloroso de todos. Para mal dos nossos pecados, por mais que estejamos magoados um com o outro, entrar no esquecimento de alguém torna-se um trabalho duro. Não é fácil, o amor dá-nos força suficiente para querermos mais, mesmo que seja sofrer porque ao menos sabemos que por pior que seja, temos a atenção desse alguém. Não significa desvalorizar-nos a nós próprios, significa aguentarmos o mal porque sabemos que o amor aguenta tudo. Na maior das minhas forças penso que o caminho é para frente, na pior das minhas fraquezas, quero que o caminho seja outro. Torno-me repetitiva na insistência desta história. Águas passadas não movem moinhos mas moveram um dia e isso significa que fizemos alguma coisa bem. Entro agora em estado de conformidade. Entro num estado de esquecimento forçado mas o amor é assim, não nos força a amar mas consegue forçar a esquecer. Sou romântica incurável, daquelas que ao mínimo toque ganha uma força e uma esperança de que tudo se resolverá mas não agora, eu sei que não.
O para sempre é para sempre até durar mas o nunca é diferente, consegue ser mais frio mas ao mesmo tempo acolhedor. É contraditório pensar assim mas quem nunca sofreu por um amor mal resolvido, que atire a primeira bomba! Aliás, este amor está resolvido, sabemos bem quem amamos e como queríamos que as coisas tivessem sido mas não deu. Quem sabe um dia mais tarde, quando formos adultos, crescidos de corpo e alma, tenhamos a oportunidade que deitamos fora, deitei, sei lá... Deixa de fazer sentido quando o sentido desaparece,
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