domingo, 5 de abril de 2015

Mais um gole.

Ontem pequei. Depois de mais uma hora a implorar-te ao telemóvel para que voltasses, no meio de soluços e cigarros siameses, desisti. Desisti de insistir, desisti da minha pose de Cristo Rei à tua espera, desisti de mim. Desisti de querer mais do que posso ter, desisti de viver. Mas ainda acho 'desistir' uma palavra muito forte. Sei que no dia que efectivamente essa palavra fizer sentido na minha vida, não te amo mais. Até lá vou-me massacrando com o todos os cheiros parecidos ao teu, vou vendo as minhas tardes passando enquanto sentada à minha porta, vejo os carros a passar à espera que o teu pare, me leve e partamos para longe. Engraçado que contigo comecei a ver os carros de outra maneira, para mim já não são carros, são lembranças de ti. O cheiro a gasolina penetra-me e eu vejo-te. No meio do meu grupo de amigos, de cervejas e misturas, a um sábado à noite, continuava a ver-te. Foi uma, pensava em ti; foram duas, continua a ver-te; perdi-me na conta, perdi-te de vista. A tua imagem começou a ficar menos nítida mas a tua voz continua a massacrar-me: «Débora, pára!», «Débora, deixa-me em paz!», «Débora, quando casamos?», «Fica comigo.». CHEGA! Chega de fazeres com que te queira! Chega de dormir a pensar em ti, chega de não querer mais ninguém sem seres tu. Chega de ouvir os nossos amigos dizer que tudo se vai resolver quando eu nem tenho a certeza que te volto a ter. Não aguento mais, vejo-te a toda a hora, a cada passo que dou, respiro-te fundo. Mantens-me. 

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